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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Galpão do Rio Grande - Balbino Marques da Rocha (Poema)


Meu santuário de fumaça,
onde às vezes desencilho,...
faço um altar de lombilho;
do fogo, a reminiscência 
e cultuo a dor da ausência
no oratório do passado...

Galpão onde eu fui fedelho,
tirando raspa de tacho, 
corpeando tala de relho...

Templo de fogo vermelho,
onde os avós se reuniram
e donde a cavalo partiram
numa cruzada de macho...

Aqui, me curvo e me agacho,
me inclino e, às vezes, me ajoelho,...
desato o breve, a oração,
revendo, de um lado e de outro,
quando o Rio Grande era potro
e os que domaram meu chão.

Templo de fogo, galpão,...
madrugaste neste chão
e viste o Rio Grande em cueiros!

pouso de indiada matreira,
bugres de alma de fronteira,
de pealadores, tropeiros,
de milicos e de chinas,...

de pardos mal encarados, 
arrocinando entonados,
baguais de rédeas de crinas,
terçando espadas de fueiros!

Viste sombras de ramadas
e índios, como morcegos,
de cara preta riscada,
de xiripás de pelego,...
de panuelos e penachos,
de guampas e barbicachos
de pua e rabo de galo,
em alarido e escarcéu,
troteando como cavalo
a roda de um fogaréu!
Viste corvos crocitando 
em religiosos conselhos
e alçando vôo num grito...

ouviste gaitas chorando,
e violões bordoneando
sobre esqueletos vermelhos,
no pampa verde infinito!

Viste a tourada que berra,
cortando o ar, desafiando,
co’a pata enorme escarvando,
enchendo o lombo de terra!

Viste o Rio Grande de couro,
em perigoso atropelo...
com sua crosta de pêlo
e a sua alma de ouro!

Foste bivaques de alçados,
de arribados e coimeros...
parada de cruzadores,
barraca de trovadores
e sesteada de gaiteiros!

Com mais coragem que medo,
à luz da lua, mui cedo,
essa assembléia reiúna,
numa xucra devoção,
entremeava a oração
de sorvos na cuia bruna!

Vaqueanos virando assados...
laços secando espichados
por entre lanças cravadas,
como tramas encordoadas
entre bordões de alambrados.

No teu recinto aquecido,
duendes de estranho jogo
riscavam sombras de fogo,
na taipa e no chão batido.

No oitão de taquara e terra,
cimbrava a bulha da guerra!

Ali brotou a decisão:
brado de irmão para irmão
se ouviu de um para outro;


a rincho e a casco de potro,
firmou-se, ao cantar do galo,
penhor de pai para filho...
amor de filho pra pai...

a indiada pulou a cavalo
e, a grito, pata e lombilho,
num raio guaxo que cai...
a cincha e a sovéu gasto,
trouxe este Brasil de arrasto
pras barrancas do Uruguay.



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